Dom Casmurro - Machado de Assis
Órfão de pai, criado com desvelo pela mãe Dona Glória, protegido do mundo pelo círculo doméstico e familiar (tia Justina, tio Cosme, José Dias), Bento Santiago ou Bentinho é destinado à vida sacerdotal, em cumprimento a uma antiga promessa da mãe: torná-lo padre. A vida do seminário, no entanto, não o atrai. O compromisso é desfeito e Bentinho pode escolher uma carreira liberal e casar-se com Capitu. Eles têm um filho, Ezequiel, e mantêm estreita amizade com o casal Escobar e Sancha. Com a morte de Escobar, Capitu sofre tanto que Bentinho começa a suspeitar que ela o tivesse amado. A desconfiança aumenta à medida que Ezequiel cresce e se parece cada vez mais com Escobar. Bentinho muito ciumento, chega a planejar o assassinato da esposa e do filho, seguido pelo seu suicídio, mas não tem coragem. A tragédia dilui-se na separação do casal. Capitu viaja com o filho para a Europa, onde morre anos depois. Ezequiel, já moço, volta ao Brasil para visitar o pai, que apenas constata a semelhança entre o filho e seu antigo colega de seminário. Ezequiel viaja para terras distantes em uma viagem de estudos, durante a qual também morrerá. Bentinho, cada vez mais fechado em suas dúvidas, passa a ser chamado de casmurro pelos amigos e vizinhos e põe-se a escrever a história de sua vida.Desde seu lançamento, em 1899, Dom Casmurro é um sucesso de crítica e de público, apontado como uma das obras-primas da literatura em Língua Portuguesa. Narrado em primeira pessoa, a obra trata de um dos mais explorados temas da prosa literária - o triângulo amoroso - por meio das personagens Bentinho, Capitu e Escobar.
Bentinho (que é o narrador) afirma que o objetivo, ao escrever o livro sobre a sua história, era "atar as duas pontas da vida" na expectativa de que a narrativa lhe permitisse compreender sua própria trajetória existencial. É, entretanto, pela fala de Bentinho que conhecemos os fatos e é pelo filtro de sua visão que formamos o perfil psicológico de cada uma das personagens. Em Dom Casmurro, não se pode afirmar que Capitu traiu Bentinho. Tal impossibilidade deve-se, principalmente, ao fato de o ponto de vista da narrativa ser do próprio personagem supostamente traído, Bento Santiago.
Como evidenciado em suas demais obras, no processo narrativo de Dom Casmurro, Machado de Assis (1839-1908) preocupa-se muito mais com a análise das personagens do que com a ação. Por isso, em suas narrativas, pouca coisa acontece: há poucos fatos em suas histórias e todos são ligados entre si por reflexões profundas.
Quanto aos personagens, o escritor busca inspiração nas ações rotineiras do homem. Penetrando na consciência das personagens para sondar-lhes o funcionamento. Machado mostra-nos a vaidade, a futilidade, a hipocrisia, a ambição, a inveja e a inclinação ao adultério, além de evidenciar os impulsos contraditórios existentes em qualquer ser humano, o que torna difícil classificar suas personagens em boas ou más. Um bom motivo para ler integralmente Dom Casmurro é defender um dos pólos da ambigüidade do romance.
Dom Casmurro faz parte do conjunto da produção literária do Realismo, estilo que juntamente com o Naturalismo marcou a segunda metade do século XIX. O romance realista cultivado por Machado de Assis é uma narrativa preocupada com a análise psicológica, fazendo críticas à sociedade a partir do comportamento de determinadas personagens.
Machado de Assis (1839-1908) é o nosso mais importante prosador realista e, ao contrário de muitos escritores de sua época, conheceu ainda em vida o prestígio e a fama. Foi um dos fundadores, em 1897, da Academia Brasileira de Letras e eleito seu presidente vitalício. Ao morrer, recebeu honras fúnebres de chefe de estado. Sua obra divide-se em duas etapas muito diferentes, embora uma seja complemento da outra. A primeira fase é marcada por elementos do romantismo, enquanto que na segunda fase, predomina o que se pode chamar de "realismo machadiano". Nessa segunda fase estão os romances Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908).por Hamilton Freitas

1 Comments:
Oi, só estou comentando porque achei muita conhecidencia. Tava olhando os blogs que foram atualizados agora, e abri o teu. Só que achei muito legal que vc é de rio Grande pois eu tambem sou, heheheh. Vou dar uma olhada no seu blog agora. e cometarei de novo. bjus
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