Língua & Literatura

O blog Língua & Literatura foi criado para a disciplina Projetos Experimentais como requisito parcial para a obtenção de grau em bacharel em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, pela Escola de Comunicação Social (Ecos) da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). O objetivo é publicar resumos, análises e sínteses literárias, além de estudos de filologia e lingüística como forma de colaboração e apoio às pesquisas escolares e acadêmicas.

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sexta-feira, maio 26, 2006

Casos do Romualdo - Simões Lopes Neto

Casos do Romualdo foi publicado, inicialmente, em 1914 sob a forma de folhetim no jornal pelotense Correio Mercantil. Completando as histórias de Simões Lopes Neto sobre o Rio Grande do Sul, este livro conta os vários casos de Romualdo, gaúcho do interior, contidos em suas memórias. São 21 contos, com histórias hilárias e fantásticas sobre caças, viagens e outros assuntos relacionados à temática gauchesca, contados no estilo de fala local.
Simões Lopes Neto inicia a obra com Primeiro Caso, que conta que um desconhecido, na véspera de Natal, deixou em sua casa um pacote sem remetente, sem endereço e sem destinatário. Ao abrir o pacote, encontra um caderno com os "Casos do Romualdo". Desta forma, o autor isenta-se, passando a palavra para o próprio Romualdo, que se apresenta como contador no segundo caso Sou Eu, O Homem e classifica os ouvintes em três tipos: 1) Toco plantado; soleira de porta, parafuso de dobradiça (metáfora dos que nunca saíram de sua terra) - para esses, ele não fala; 2) galo de torre de igreja, coleira de cachorro, sanguessuga de barbeiro (metáfora dos que viajaram pouco) - para esses, pouco fala; 3) realejo de gringo, travesseiro de hotel, patacão de prata (metáfora dos muito viajados) - esses são os ouvintes preferidos dele. Isso porque considera que quanto menos viajou um homem, menos crê no que os outros contam.

Na seqüência, Romualdo narra Quinta de São Romualdo, que trata da iniciativa de plantar abóboras em sua chácara, pois acreditava que as sementes exterminariam com a tênia, parasita intestinal, porém é logrado com as sementes, que eram de capim barba-de-bode. Daí compra preás para eliminar a praga; depois compra gatos para acabar com as preás; a seguir, compra cães para terminar com gatos e, por fim, contrata gringos, tocadores de realejos, para livrar-se dos cães. Endividado e dado como morto, vende a chácara e foge.
Seguindo a linha da narrativa fantástica, entre outros casos, vê-se o parto de 87 crianças ao mesmo tempo e da mesma mãe, a caça de onças com sebo de vela, a espécie de tatu que tinha o rabo aparafusado ao corpo. Para caçá-los era só pôr a mão na toca do bicho, desaparafusar-lhe o rabo, e em seguida, esperar que eles saíssem da toca à procura dos rabos, sendo assim, possível caçá-los (se não caçados, enterram o rabo no chão e giram sobre ele até fixá-lo novamente ao corpo). Tem também, o caso da figueira, que depois de uma poda e por um problema genético, começou a dar frutos de todas as espécies: laranjas, cocos, melancias, limões, pêras e até mesmo algo que se parecia com partes de galinhas.

Alguns casos vividos e narrados por Romualdo não se passam necessariamente no Rio Grande do Sul. Entre Bugios, por exemplo, acontece no norte do Brasil, e conta a história de um bando de macacos bugios que aprende a trabalhar e começa a adquirir hábitos humanos. Romualdo se pergunta: "será que um dia os macacos, se estimulados, não se tornariam iguais ao homem?". Três Cobras se passa durante a Guerra do Paraguai, Enfiada de Macacos, num rio em Goiás, e O Dia das Munhecas em plena selva amazônica.

O autor - O Capitão João Simões Lopes Neto (1865-1916) publicou três livros em toda a vida, todos na cidade em que nascera, Pelotas, no RS. Foram eles Cancioneiro Guasca, Lendas do Sul e Contos Gauchescos. Fez teatro e, apesar de suas obras terem sempre cunho tradicionalista, era um homem de hábitos urbanos. Acalentava grandes sonhos literários e anunciou na primeira edição deste último livro que já tinha seis outros prontos, dos quais apenas Cancioneiro Guasca e Casos do Romualdo foram publicados em vida. Seu reconhecimento como escritor foi póstumo.
O Pré-Modernismo não pode ser considerado uma escola literária, mas sim um período literário de transição do Realismo/Naturalismo para o Modernismo. De caráter inovador, a maioria de seus membros não se enquadra como Modernistas por não terem sobrevivido o suficiente para participar ou terem criticado o movimento. O período histórico que precedeu a Semana de Arte Moderna (1922) teve significado artístico e não apenas um registro histórico, pelo surgimento de uma literatura social mais problematizadora, sem o mecanismo das correntes artísticas do Realismo-Naturalismo. Foi uma tendência mais autenticamente nacional, voltada para os problemas concretos do país.


por Hamilton Freitas

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Hamilton,sempre gostei dos *causos* de Simões Lopes Neto, mas nunca lí uma obra inteira deste autor, representante legítimo de nossa terra e costumes. Gostei muito do resumo do livro e de saber mais da sua vida .parabéns!
P.s. Um pedido que não sei se pode ser atendido, mas queria muito de ver no seu blog ,as obras do Quintana, sou uma das suas maiores fãs, e gostaria de ver esse reconhecimento ,mesmo que tardio ,a quem sempre me encheu de orgulho de ser conterrãnea...

*"Amar é mudar a alma de casa." (Mario Quintana)

quinta-feira, junho 01, 2006 5:18:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Parabéns colega! Adorei teu blog, gosto de poemas, contos... ficou ótimo!
Te acho um escritor de bom gosto.
Um abraço
Graciéli

domingo, junho 04, 2006 12:52:00 AM  

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